segunda-feira, 18 de abril de 2011

Eu sou o Número 4: melhor do que o esperado, mas sem ser brilhante


RENAN MARTINS FRADE
JUDAO.com.br
 

Em um ano com tantos lançamentos esperados, Eu sou o Número 4 era um daqueles filmes que acabou passando batido por mim. Não que eu estivesse completamente por fora, claro. Sabia que o longa-metragem era baseado no livro I Am Number Four, de James Frey e Jobie Hughes, lançado com sucesso lá fora no ano passado, que teve os direitos de adaptação comprados mais de um ano antes do lançamento do próprio livro e que tem produção de Michael Bay e Steven Spielberg. Porém não tinha lá grandes expectativas. Talvez até por isso, o filme me surpreendeu.
Não, Sou o Numero 4 não é nenhum filme memorável. Também não é uma daquelas adaptações perfeitas tão sonhadas (e que não existem). Aliás, eu não li o livro, então fico devendo esse tipo de comparação. Só que, como filme mesmo, a produção é divertida, tem uma história que te envolve.
No filme somos apresentados a John Smith, um jovem de 15 anos que é um dos poucos sobreviventes do planeta Lorien, destruído há anos pelos Mogarianos. Os poucos sobrevivente vieram para terra, incluindo nove crianças que eram guerreiros prometidos e blá blá blá. Cada um desses guerreiros perdeu os pais e vive na Terra se escondendo dos Mogarianos, tentando crescer, desenvolver seus poderes e se unirem contra os aliens do mal.
John, que, na real, nem tem esse nome, é criado pelo protetor Henri. Já o número quatro vem do fato dele ser o quarto guerreiro dos nove sobreviventes, algo que se torna importante pelo fato dos tais Mogarianos atacarem os jovens pela ordem numérica. A cada ataque dos destruidores de Lorien ou pisada na bola de John, a “família” muda para outra cidade dos Estados Unidos, como uma nova identidade.
No filme não há nada muito espetacular de tecnologia alienígena ou sobre o passado de Lorien. Na real, conhecemos John e Henri quando estão mudando para Paradise, uma pequena cidade em Ohio, na qual o garoto se vê obrigado a fazer novos amigos no colégio e se apaixona pela Sarah, uma garota com poucos amigos e viciada em fotografia.
A partir daí, o filme mais envolve conflitos colegiais, problemas amorosos e a chegada dos aliens do mal do que qualquer outra coisa. Nada chato, ao estilo Crepúsculo, até porque aparentemente os produtores quiseram chegar mais próximos dos garotos. O envolvimento entre John e Sarah é bem leve. O Lorieniano é até lento pra cacete pra dar o primeiro beijo! Não, não tem sexo, nem peitinhos.
Pelo menos pra mim, conflitos juvenis em um colégio, quando são levando pelo lado despretensioso e com um pouco de humor (sem drama, por favor!), dão um resultado bem interessante. E Eu Sou O Número 4 é inteligente ao se valer disso.
Como fã de quadrinhos, reparei algo muito importante. A história de John Smith tem muitas similaridades com a do Superman. Sério. Repara bem: Eu Sou Numero 4 é sobre um garoto que foge de um planeta distante e moribundo, que chega na Terra e é criado por um pai adotivo. No nosso planeta, ele desenvolve poderes especiais, cresce em uma cidade do interior e se apaixonada por uma companheira de escola.
Vou além. No recente Superman: Earth One, uma nova origem para o Azulão criada para um universo alternativo da DC por J.M. Straczynski, Clark Kent revela seus poderes ao mundo após a ameaça de alienígenas que estão na Terra, os mesmos que destruíram seu planeta. Porém, Earth One foi lançado antes do filme, mas quase que ao mesmo tempo que o livro. Como disse, não li o original, então não posso dizer se o filme é fiel neste ponto. Por isso, parece que não passa apenas de uma tremenda coincidência.
Dianna Agron <3
No que se refere a atuações, o filme não é nada extraordinário. Todos os atores estão medianos. Mesmo o protagonista, interpretado por Alex Pettyfer, fica neste nível. Além do que, a manobra de colocar atores com mais de 20 anos como adolescentes de 15 é algo batido, mas que não me convence. Destaque para Dianna Agron, a Quinn de Glee, que no filme interpreta a Sarah. Não por ser uma ótima atriz, mas por ser FROXO. O melhor ator, mesmo, é aquele que faz o cachorro de John Smith. Quando você ver o filme, vai concordar.
A direção também não é nada de espetacular. Tem bons efeitos especiais, boas cenas de luta (principalmente no final), mas o D.J. Caruso não consegue surpreender. Falta algo a mais, entende!?
Por tudo isso, Eu Sou o Número 4 consegue ser um filme melhor do que aparenta em um primeiro momento (inclusive no trailer), mas sem ser espetacular. Vale, de qualquer forma, pela diversão. Talvez nas continuações – sim, a série de livros continua e os filmes devem seguir o mesmo caminho – o resultado seja melhor.

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