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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Entrevista com Kiko Nogueira, diretor de redação da ALFA

Por Guilherme Nascimento Valadares



Enquanto o visor pisca indicando a escalada vertical, repasso minha estratégia.
Estou no elevador da editora Abril, velho conhecido. Ao meu lado, Júnior (Dr. Drinks) carrega o equipamento de vídeo. Respiro fundo.


Providencial lembrete do quão pequenos ainda somos
Logo antes de uma entrevista, me sinto feito escriba gladiador rumo ao combate. Vou enfrentar o crivo do entrevistado, o crivo feroz dos leitores PdH e, na sequência, minha própria consciência féladaputa. Não há prospecto de replay, pois amarrar agendas dos nossos escolhidos é sempre um feito xamânico, acontece de acordo com as marés. Quem já me acompanhou nesses momentos conhece meu hábito de manter silêncio militar na caminhada até o ringue.
Entramos na redação. Avisto Kiko de longe, parece estar ocupado despachando instruções em sua sala.
Para todos efeitos, a entrevista já começou.
Daniela, responsável por fazer o papo acontecer, nos conduz até ele. Aperto de mão firme, olha no olho, sério, vestindo uma camiseta simples e calça jeans, não me recordo do calçado. Boa primeira impressão. Em caso de mão frouxa, perderia o respeito no ato.
Muito barulho em volta, procuramos por local mais adequado. Optamos por uma salinha ao final do corredor, com ampla vista para as artérias paulistanas. Ótimo cenário, pulsante. Ainda que o contraluz fosse cobrar seu preço sobre nossa guerreira flip cam na edição.
Júnior prepara as câmeras e trocamos algumas palavras. À minha frente está Kiko Nogueira, diretor de redação da Alfa, ex-diretor da Viagem & Turismo, dos Guias Quatro Rodas e ex-editor da Veja SP. Um bocado de títulos para esclarecer que esse cara é um dos líderes silenciosos do diálogo editorial em curso com o público masculino no Brasil. Não se enganem, comandar uma revista da Abril é posto para poucos.
Sabendo ser ele filho e irmão dos  talentosos jornalistas Emir e Paulo Nogueira, respectivamente, trato de ponderar um último aviso a meu subconsciente:
“Não faça merda, caraleo!”
Nos 38 minutos de conversa seguintes disparei quatorze perguntas. Tratamos de sua história, de homens, mulheres, bom jornalismo, Galvão Bueno, heróis, jabás, universo digital, ética, planos para 2011 e, por fim, futebol. Foi um papo analogicamente hipertextual. Traduzindo, recheado de referências.

Na dúvida, gesticule

Parte 1 | “Se você for se pautar só pelo Twitter, você tá fodido.”

Perguntas

1. Qual sua formação, qual sua trajetória até se tornar diretor de redação da Alfa?
2. O editor da Playboy come todas? O editor de uma Viagem e Turismo (como você foi) roda o mundo?
3. Você também fez parte da mudança editorial no Guia Quatro Rodas?
4. Qual a origem da revista Alfa?
5. Ousada a escolha da primeira capa com o Galvão. Conte como foi o processo.

Aspas e referências

“Queria viajar. Viajei sim, viajei bastante. Pra caralho. Pra onde eu quis.”
“Quantos blogueiros hoje não estão comprados?”
“Tinha uma missão: vamos fazer uma revista masculina para o homem maduro, com mais de 35 anos.”
“Também há uma falsa questão no Brasil, de que não teríamos heróis, não teríamos ídolos. Acho uma besteira.” (sobre o surgimento da ALFA e o desafio de se encontrar homens para as capas)
“Jornalista não pode ter amigo, você sabe dessa, né?”
Cita Antunes Filho, diretor de teatro. E também Carlos Maranhão, jornalista com o qual aprendeu muito.
Capa tripla da Alfa número 1:

"Cala Boca Twitter" –Galvão
Esta é a Rolling Stones com a qual seu irmão Paulo Nogueira o presenteou (capa feita porAnnie Leibovitz):

Edição de janeiro/1981

Parte 2 | “A ALFA está com o mérito de fazer as perguntas certas.”

Perguntas

6. Enxergo muitas prisões de olhar dentro do universo masculino hoje. Qual sua visão? O que pode ser dito, que não vem sendo dito?
7. O que vocês fizeram que não deu certo? O que vocês fizeram que deu muito certo?
8. É possível fazer uma revista masculina sem mulher?
9. Qual a relação de vocês com o digital? O que vislumbram para esse meio?
10. Ética faz parte das discussões de pauta na Alfa?
11. O que os homens precisam ouvir sobre sexoe relacionamentos que não ouviram ainda e pode salvar a vida deles?
12. Como você enxerga o consumismo excessivo (gadgets! gadgets! gadgets!) de certos homens atualmente versus o papel de uma revista como a Alfa enquanto influenciadora?
13. Seus planos pra 2011, quais seriam, Kiko?
14. E o Brasileirão 2010, gostou do resultado?

Aspas e referências

“Demoramos pra encontrar nosso tom em moda, nosso tom com mulheres. No ensaio da Carolina Ferraz, por ex, ela está
vestida demais.”
“A gente quer mulher com história pra contar. Pode ter 18 anos ou 40.”
“Homens efeminados, por exemplo, não vamos falar deles. Caras maníacos pela aparência.”
“A ALFA surgiu em um momento no qual o homem estava meio por baixo.”
“Há, sim, espaço para uma revista que não trate o homem como uma máquina de consumo ou como uma máquina sexual.”
Cita sua amiga Tati Bernardi como a mais habilidosa mulher escrevendo sobre relacionamentos hoje. Difícil discordar.
Kiko, puta prazer tê-lo conosco, belo momento de aprendizado por aqui. Grande abraço!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Saga de 'O poderoso chefão' vai ganhar novo livro


Marlon Brando em cena do filme 'O poderoso chefão' (Foto: Divulgação)

Um novo livro sobre a saga dos Corleone está sendo escrito e deve chegar às prateleiras em 2012, informou nesta quarta-feira (4) a editora norte-americana Grand Central Publishing.

"The family Corleone", assinado por Ed Falco, será baseado em roteiros descartados por Mario Puzo, autor do romance original que deu origem à série "O poderoso chefão", adaptada para o cinema por Francis Ford Coppola.

O novo livro será ambientado em Nova York, nos anos 1930, e deve funcionar como um prelúdio dos acontecimentos já narrados por Puzo, morto em 1999.

A obra original de Puzo foi lançada em 1969 e vendeu mais de 20 milhões de exemplares. Mais recentemente, duas outras sequências foram publicadas - "A volta do poderoso chefão" e "A vingançã do poderoso chefão" -, ambas escritas por Mark Winegardner

sábado, 9 de abril de 2011

quarta-feira, 30 de março de 2011

sexta-feira, 25 de março de 2011

Paciência

Ah! Se vendessem paciência nas farmácias e supermercados... Muita gente iria gastar boa parte do salário nessa mercadoria tão rara hoje em dia.
Por muito pouco a madame que parece uma "lady" solta palavrões e berros que lembram as antigas "trabalhadoras do cais"... E o bem comportado executivo?
O "cavalheiro" se transforma numa "besta selvagem" no trânsito que ele mesmo ajuda a tumultuar...
Os filhos atrapalham, os idosos incomodam, a voz da vizinha é um tormento, o jeito do chefe é demais para sua cabeça, a esposa virou uma chata, o marido uma "mala sem alça". Aquela velha amiga uma "alça sem mala", o emprego uma tortura, a escola uma chatice.
O cinema se arrasta, o teatro nem pensar, até o passeio virou novela.
Outro dia, vi um jovem reclamando que o banco dele pela internet estava demorando a dar o saldo, eu me lembrei da fila dos bancos e balancei a cabeça, inconformado...
Vi uma moça abrindo um e-mail com um texto maravilhoso e ela deletou sem sequer ler o título, dizendo que era longo demais.
Pobres de nós, meninos e meninas sem paciência, sem tempo para a vida, sem tempo para Deus.
A paciência está em falta no mercado, e pelo jeito, a paciência sintética dos calmantes está cada vez mais em alta.
Pergunte para alguém, que você saiba que é "ansioso demais" onde ele quer chegar?
Qual é a finalidade de sua vida?
Surpreenda-se com a falta de metas, com o vago de sua resposta.
E você? Onde você quer chegar?
Está correndo tanto para quê?
Por quem?
Seu coração vai agüentar?
Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar?
A empresa que você trabalha vai acabar?
As pessoas que você ama vão parar?
Será que você conseguiu ler até aqui?
Respire... Acalme-se...
O mundo está apenas na sua primeira volta e, com certeza, no final do dia
vai completar o seu giro ao redor do sol, com ou sem a sua paciência...





Arnaldo Jabor

quarta-feira, 16 de março de 2011

terça-feira, 15 de março de 2011

Sobre um livro perdido... e um achado...


Glaucio V. Cardoso

   

Já faz duas horas que procuro um certo livro nas estantes. Ele tinha de estar aqui mas não o encontro de modo algum. É realmente frustrante querer ler um livro e não poder.
    Enquanto meus dedos vão passando pelas lombadas, uma sucessão de títulos e nomes vai ficando para trás. Estão todos do jeito que arrumei, então cadê o meu Neruda? Não há nenhum motivo especial para procurá-lo em meio aos outros, simplesmente me deu vontade de ler seus vinte poemas de amor seguidos por uma canção desesperada. Tenho plena certeza de que o empacotei junto com os outros que vieram na mudança, porém já vasculhei todas as caixas, bolsas e pilhas ainda por arrumar e nada de encontrá-lo.
    É incrível como algumas situações nossas do dia a dia parecem repetir (em menor escala) acontecimentos da história humana que muitas vezes são capazes de nos tirar o sono como se fossem nossos problemas, nossas preocupações e por aí vai. Agora mesmo, enquanto vasculho caixas, prateleiras e armários em busca de um livro cujo destino eu desconheço, me vem à mente o quanto a humanidade perdeu de sua cultura ao longo dos séculos.
    Ao passar pela estante em que se encontram lado a lado A Ilíada A Odisséia, penso no que li outro dia, não me lembro exatamente se num livro ou revista, sobre algumas das obras destruídas junto com a famosa Biblioteca de Alexandria. Entre os livros que nunca mais poderemos ler, e cujo desaparecimento só podemos lamentar, estava uma outra obra de Homero que, em conjunto com suas irmãs clássicas, formaria uma trilogia, talvez a primeira da história literária.
    Esta obra, cujo título se perdeu junto com seu conteúdo, poderá fazer falta em um universo quase incontável de livros a que temos acesso em nossos dias? Eu afirmo que sim.
    O que me passa pela cabeça é que eu nunca poderei escolher ler ou não este texto. Nunca poderei decidir se atravessarei suas páginas antes ou depois de um ou de outro livro. Está perdido, e sua ausência é uma lacuna em nossa história universal, tal como os vinte poemas de amor que não encontro trazem-me imenso vazio.
    Ao mesmo tempo em que abro um dos armários, vasculhando seu interior com olhos e mãos, penso em como certos textos (para nossa felicidade) tiveram a sorte de sobreviver à mão do homem. Penso por exemplo em Gilgamesh.
    Imagine-se um texto sumério, escrito aproximadamente no ano 3.000 a.C., perdido durante séculos e do qual só se tinham notícias que mais se assemelhavam a lendas? Agora pense em como seria encontrá-lo intacto nos restos de uma biblioteca real assíria, preservado em lápides de argila, em pleno ano de 1872?
    Este livro, que entre outras coisas conta a história dos únicos sobreviventes de um dilúvio (familiar?), sendo o mais antigo texto literário conhecido (1.000 a mais que o primeiro texto bíblico), poderá ser visto como base de toda a nossa história escrita, não sendo difícil para o leitor atento perceber seus ecos nas obras dos séculos seguintes. Afinal, a saga de um herói em busca de provar seu valor está longe de ser um tema esgotado.
    No meio dessas divagações vejo um pequeno volume em meio aos outros, não o reconhecendo de pronto e tomado de curiosidade o pego e me sinto imediatamente transportado no tempo: é o meu primeiro livro! O primeiro que li sozinho depois de ter aprendido o ABC! Foi ali que minha paixão pela leitura realmente começou, pois fui eu quem o escolhi para ler, eu quem passeei pelas suas linhas e me deixei encantar por sua história! Graças a ele, todo um universo de vidas e realidades se abriu à minha frente. Sinto como se a cada novo livro que leio (ou re-leio) eu o estivesse revisitando, continuando a aventura que começou naquele livrinho simples e ao mesmo tempo infinito.
    Homero e Neruda, continuam perdidos para mim. Gilgamesh jaz na estante à espera de uma releitura que não tenciono fazer tão cedo. Mas este pequeno volume, com suas letras de tamanho médio e suas ilustrações que ocupam a maior parte da página me fez sentir um explorador que num golpe do destino tem a oportunidade de se debruçar sobre um passado (quase) esquecido e aspirar o doce perfume da eternidade.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Frase do dia - 14/03/2011


 "Thunder,Thunder,Thunder,Thundercat hoooooouu. " By Augusto Perillo...

Profissão: escritor. Pode?!


Glaucio V. Cardoso




    O caderno literário do Jornal O Globo, Prosa & Verso, do sábado dia 3 de junho de 2006, trouxe matéria de capa com o título “Sai a musa, entra o diploma”, escrito por Miguel Conde. (www.oglobo.com.br/cultura)
    A matéria, cuja simples leitura do título já seria de espantar, trata do primeiro curso superior de formação de escritores e agentes literários a ser implantado oficialmente no Brasil. Não prezado leitor, você não leu mal; é um curso universitário para diplomar escritores! Coordenado pelo poeta Fabrício Carpinejar, iniciará suas atividades no dia 2 de agosto deste ano, na Unisinos de São Leopoldo (RS).
    Necessário dizer que tal tipo de curso não é nenhuma novidade, existem diversas oficinas de produção textual em todo o país, algumas dirigidas e ministradas por escritores famosos e de talento inquestionável, mas nenhuma delas diploma ninguém como escritor. Tudo bem que sempre se pode ensinar algumas técnicas de escrita, mas será que o talento pode ser aprendido nos bancos universitários ou escolares? Penso que a própria história da Literatura tem nos demonstrado o contrário.
    Partirei do próprio texto da matéria para fazer minha análise do fato em si.
    Primeiramente vejamos as palavras do próprio poeta Carpinejar. Segundo a matéria, ele “se diz comprometido com a desmistificação da figura do escritor”. Bom, se há ou não a mistificação em torno da figura do escritor (o que particularmente não acredito) ela se deve ao fato de haver um certo mistério em torno de todo aquele que tem uma aptidão específica, um
talento ou, se assim o quiserem, um dom especial. Pessoalmente acho inacreditável o que algumas pessoas são capazes de realizar sem ter a “formação específica” para tanto. Nelson Rodrigues é um ótimo exemplo, já que ficou conhecido como jornalista muito antes de sequer terminar os estudos fundamentais.
    Outra palavra de Carpinejar: “O importante não é o diploma, mas a experiência que será adquirida dentro do curso.” (grifo meu). Bom, o curso terá duração de dois anos e meio (30 meses) e contará com alguns escritores para ministrar aulas e acompanhar os alunos. Pergunto: quanto tempo se leva para amadurecer um talento? A vida toda, talvez. Pensemos nos autores que deixaram seus nomes registrados na história da literatura. Citemos Joseph Conrad.
    De seu primeiro livro, A loucura do Almayer (1895), iniciado em 1889 e concluído em 1894, até aquele que é considerado como sua obra prima, O coração das trevas (1902), pode-se acompanhar uma trajetória literária das mais intrigantes por constituir verdadeira gradação de estilo, permeada por alguns tropeços e escorregões, que fizeram de sua obra o que há de mais rico na literatura de língua inglesa. Temos aí cinco anos de escrita seguidos de mais sete até a maturidade. Acredito que o exemplo fala por si.
    Curioso que o release do curso sugere que o fato de um escritor se formar sozinho implica amadorismo e improvisação. Acredito que Machado de Assis escreveria uma bela crônica sobre isso. O próprio Carpinejar afirma que não se trata de amadorismo, engraçado ele contradizer a ementa do curso ao qual está defendendo com tanto afinco, e diz mais: afirma que “a verdadeira vocação terá mais facilidades de vir à tona na universidade”. Dá pra levar isso a sério? Então pergunto: qual curso universitário nos deu um novo Heitor Villa-Lobos, uma nova Patrícia “Pagu” Galvão, um novo Castro Alves?
    É risível e revelador o que o coordenador Carpinejar diz em certo trecho da entrevista:
    “[...] Quantos escritores parecem mendigar a leitura de seus textos aos amigos e familiares, dependendo de uma segunda opinião? Estamos propondo a convivência, a conversa com grandes autores que tomaram a literatura como seu principal ofício, a imersão criativa, a leitura criteriosa dos seus textos, o acompanhamento integral. É o fim das gavetas. Trabalhar a criação em sala deaula resultará num maior rigor, senso de observação e sensibilidade ao aluno. Acho que temos que destruir o egoísmo da genialidade [...]”
    Essa então é demais! A conversa com grandes autores com a finalidade de formar escritores? Aparentemente o curso vai formar é repetidores, padrozinando a produção literária. Com esse tipo de postura corre-se um grande risco de formar escritores medíocres que jamais trarão uma contribuição renovadora para a literatura nacional.
    Há um dado que está me intrigando muito: sendo um curso de formação de escritores, como avaliar a obra desses escritores? O curso parte portanto do pressuposto de que seus alunos já possuam uma obra de gaveta. Afinal, é formação ou avaliação? Ou será que tal curso servirá para validar trabalhos que tem ficado nas gavetas por sua qualidade duvidosa?
    Mas a melhor e mais reveladora afirmação é a de que existe a necessidade de “destruir o egoísmo da genialidade”. Já disse que Machado de Assis se divertiria às custas desse curso. Percebe-se finalmente que o curso nada mais é do que uma afirmação do fenômeno mais preocupante da globalização: nivelar pela média não por um sentido de democracia, mas por um total despeito à figura do Gênio. Sim, temos medo dos Gênios. Achamos absurdo que alguém consiga destacar-se da maioria, ser diferente, fazer algo de realmente novo e original.
    Nunca antes se fez tanta questão de esquecer e menosprezar as contribuições de figuras notáveis como o já citado Machado de Assis bem como de Einstein, Fernando Pessoa, Patativa do Assaré, Chaplin e outros que ocupariam linhas e mais linhas de qualquer lista, embora tenham sido personagens sem essa formação academicista que procura reduzir até mesmo a beleza da arte a um gráfico ou a uma planilha.
    Eis o problema do Gênio: atestar a existência da média. Eis a arma dos que estão na média: querer nivelar todos a si próprio.

quinta-feira, 10 de março de 2011

O que aconteceu?


Glaucio V. Cardoso



    Quando era menino me ensinaram que sobre a importância de respeitar as pessoas. Naquela época se dizia que, sendo educado, se conseguia um lugar de destaque perante o mundo.
    Não sabia o que era “perante”, mas “destaque” eu sabia.
    Hoje, andando para lá e para cá nas ruas da minha cidade, indo para o trabalho, para a faculdade e de volta para casa, ainda procuro respeitar o espaço e os direitos das pessoas.
    Engraçado como me sinto um ser de laboratório: cada vez que cedo meu lugar no ônibus, que digo um “bom dia” sorridente ou caminho por quarteirões com a lata de refrigerante vazia até encontrar uma lixeira, percebo olhares curiosos me observando.
    Por quê?
    Será que no dia a dia perdemos a capacidade de pensar no outro? Será tão difícil parar de olhar para nossos próprios umbigos e virar a cabeça para os lados?
    Vejo na TV passeatas pedindo por um Rio mais limpo, por um Rio menos violento, por um Rio mais humano, mais isso, mais aquilo, etc. Pergunto se todos os que vão a essas passeatas (e vão vestidos a caráter) separam o seu lixo de forma seletiva, fogem de uma discussão fútil com o vizinho ou simplesmente sorriem para os outros.
    Defender grandes causas é justo e bom; mas não nas pequenas coisas que mostramos a verdade de nosso ser?
    Enquanto escrevo essas linhas, no metrô, entra uma velhinha e eu não me levanto, afinal não estou em assento preferencial. Será que isso elimina o fato de que ela está cansada de hoje e de todos os seus ontens?
    Acabo me levantando. Ela se senta sorridente e puxa o netinho para seu colo, falando “obrigada” para mim e dizendo para o pequeno que é importante ser educado e respeitar os mais velhos.
    O menino me olha e eu tento dizer-lhe com o olhar que é verdade. Mas sinto que, de algum modo, ele vê em meus olhos, bem no fundo deles, um outro garotinho que se pergunta: “Se a maioria de nós foi criada aprendendo o mesmo, o que aconteceu?”

Dez Coisas que Levei Anos Para Aprender






1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa.

2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.
3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.
4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.
5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida.
6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.
7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões".
8. Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".
9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.

10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.

Por: Luiz Fernando Verissimo

quarta-feira, 9 de março de 2011

As palavras transformam

por Paulo Coelho |
Diz o mestre:
A palavra é poder. As palavras transformam o mundo e o homem.
Todos nós já escutamos dizer: “não se deve falar das coisas boas que nos acontecem, pois a inveja alheia destruirá nossa alegria”.
Nada disso. Os vencedores falam com orgulho dos milagres de suas vidas.
Se você coloca energia positiva no ar, ela atrai mais energia positiva – e alegra aqueles que realmente lhe querem bem.
Quanto aos invejosos, aos derrotados – estes só poderão lhe causar algum dano se você lhes der este poder.
Não tema. Fale das coisas boas da sua vida para todos que quiserem ouvir. A alma do mundo precisa muito de sua alegria.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida...


Um dia, quando os funcionários chegaram para trabalhar, encontraram na portaria um cartaz enorme, no qual estava escrito:

"Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida na Empresa. Você está convidado para o velório na quadra de esportes".

No início, todos se entristeceram com a morte de alguém, mas depois de algum tempo, ficaram curiosos para saber quem estava atrapalhando sua vida e bloqueando seu crescimento na empresa. A agitação na quadra de esportes era tão grande, que foi preciso chamar os seguranças para organizar a fila do velório. Conforme as pessoas iam se aproximando do caixão, a excitação aumentava:



- Quem será que estava atrapalhando o meu progresso ?
- Ainda bem que esse infeliz morreu !

Um a um, os funcionários, agitados, se aproximavam do caixão, olhavam pelo visor do caixão a fim de reconhecer o defunto, engoliam em seco e saiam de cabeça abaixada, sem nada falar uns com os outros. Ficavam no mais absoluto silêncio, como se tivessem sido atingidos no fundo da alma e dirigiam-se para suas salas. Todos, muito curiosos mantinham-se na fila até chegar a sua vez de verificar quem estava no caixão e que tinha atrapalhado tanto a cada um deles.

A pergunta ecoava na mente de todos: "Quem está nesse caixão"?

No visor do caixão havia um espelho e cada um via a si mesmo... Só existe uma pessoa capaz de limitar seu crescimento: VOCÊ MESMO! Você é a única pessoa que pode fazer a revolução de sua vida. Você é a única pessoa que pode prejudicar a sua vida. Você é a única pessoa que pode ajudar a si mesmo. "SUA VIDA NÃO MUDA QUANDO SEU CHEFE MUDA, QUANDO SUA EMPRESA MUDA, QUANDO SEUS PAIS MUDAM, QUANDO SEU(SUA) NAMORADO(A) MUDA. SUA VIDA MUDA... QUANDO VOCÊ MUDA! VOCÊ É O ÚNICO RESPONSÁVEL POR ELA."

O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos e seus atos. A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença. A vida muda, quando "você muda".
Luís Fernando Veríssimo

terça-feira, 1 de março de 2011

Os livros e o objetivo da vida


A glória do mundo é passageira, e não é ela que nos dá a dimensão de nossa vida – mas a escolha que fazemos, de seguir nossa lenda pessoal, acreditar em nossas utopias, e lutar por elas. Somos todos protagonistas de nossas existências, e muitas vezes são os heróis anônimos que deixam as marcas mais duradouras.
Conta uma lenda japonesa que certo monge, entusiasmado pela beleza do livro chinês “Tao Te King”, resolveu levantar fundos para traduzir e publicar aqueles versos em sua língua pátria. Demorou dez anos até conseguir o suficiente.
Entretanto, uma peste assolou seu país, e o monge resolveu usar o dinheiro para aliviar o sofrimento dos doentes. Mas assim que a situação se normalizou, de novo partiu para arrecadar a quantia necessária à publicação do Tao.
Mais dez anos se passaram, e quando já se preparava para imprimir o livro, um maremoto deixou centenas de pessoas desabrigadas.
O monge de novo gastou o dinheiro na reconstrução de casas para os que tinham perdido tudo.
Outros dez anos correram, ele tornou a arrecadar o dinheiro, e finalmente o povo japonês pôde ler o “Tao Te King”.
Dizem os sábios que, na verdade, esse monge fez três edições: duas invisíveis, e uma impressa.
Ele acreditou na sua utopia, combateu o bom combate, manteve a fé em seu objetivo, mas não deixou de prestar atenção ao seu semelhante.
Que seja assim com todos nós: às vezes os livros invisíveis, nascidos da generosidade para com o próximo, são tão importantes quanto aqueles que ocupam nossas bibliotecas.