quarta-feira, 9 de março de 2011

Varejo comemora crescimento do PIB






O crescimento da economia em 2010 tem muitas marcas históricas, mas além delas, revela mudanças importantes no comportamento dos consumidores, principais agentes da economia de um país. Com estimulo, incentivos, euforia e apetite, o consumidor brasileiro comprou mais, mudou de hábitos, adotou novos produtos e assumiu um papel relevante no desempenho do PIB brasileiro.
Segundo dados do IBGE, o consumo das famílias foi responsável por mais de 60% do resultado do PIB de 2010. O varejo foi um dos maiores beneficiados por este fato, registrando o melhor desempenho da década para o setor. O aumento foi de 10,9% no ano passado, bem acima do já alto 7,5% total do PIB.
O economista Luiz Goes, sócio sênior da consultoria GS&MD – Gouvêa de Souza, especializada em varejo, justifica o desempenho positivo. “Nós tivemos uma forte expansão em crédito no ano passado, uma ampliação da renda média e da massa salarial, ou seja, condições favoráveis para permitir o consumo”.
O vice-presidente do Grupo Pão de Açúcar, Hugo Bethlem está otimista com os próximos anos, mesmo com as previsões de menor crescimento da economia em 2011. “Nós não estamos sentindo nenhum desaquecimento, não estamos sentindo freada.  Talvez as medidas adotadas pelo governo com relação ao crédito sejam necessárias, mas no curtíssimo prazo”.
Bethlem cita estudos da Fundação Getulio Vargas para explicar a mudança estrutural no perfil de consumo dos brasileiros nos últimos anos. “Segundo a FGV, nos últimos 7 anos, tivemos mais de 32 milhões de pessoas entrantes na classe média. O estudo  mostra que é sustentável a geração de renda resultante desse processo. O crescimento econômico foi significativo, importante e estruturado neste período. E os hábitos adquiridos por essa nova classe média gerada por uma riqueza sustentável não vão mudar”.
Luiz Goes concorda com a análise e acrescenta outras conseqüências deste cenário.
” O ticket médio das compras no varejo aumentou, fortemente puxado pelas classes emergentes que estão ampliando sua cesta de compras. Hoje a cesta da classe C incorpora produtos que não consumia antes, ou marcas de melhor valor. A desaceleração da economia este ano não gera retrocesso de hábito. Não vemos  sinalização de que a massa salarial pare de crescer ou vá encolher”.
Mesmo levando em consideração as medidas de restrição à crédito e juros maiores, o economista não acredita em menor apetite do consumidor por bens duráveis. “O sinal amarelo no mercado interno é o avanço da inflação e as ações que o governo vem tomando para controlar a situação. A restrição ao crédito é um fator que pode impactar, maso continuo crescimento da massa salarial equilibra parte dessa restrição e dos juros mais altos”.

Bethlem se diz otimista com o varejo em 2011. “O Grupo hoje está dividido entre 50% no setor de alimentos e 50% no de não-alimentos. Nossa vocação é o varejo de alimentos e vamos priorizá-lo este ano, diminuindo os produtos de baixo valor agregado e baixa margem, reforçando a adaptação que temos feito em nossas lojas para atender às necessidades do consumidor. Hoje, ele quer mais produtos prontos, congelados, ele vai menos ao supermercado, mas gasta mais”. O Grupo, que em 2010 contratou 10 mil pessoas, espera gerar 15 mil novos empregos este ano.
Goes, da consultoria MD Gouvea, aposta numa forte expansão de lojas e de produtos oferecidos. “Vejo um movimento de expansão de lojas ou de aquisição de pequenas redes varejistas por grandes companhias, por dois motivos. Primeiro para ocuparem espaço, hoje poucas redes são nacionais no Brasil. E segundo, para ir atrás dos mercados que estão com dinheiro”.

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