O julgamento que deve decidir se Julian Assange, o fundador do Wikileaks, será ou não extraditado da Inglaterra para a Suécia começou nesta segunda-feira,7, em Londres e deve durar dois dias. Assange é acusado de crimes sexuais no país nórdico, mas o medo da defesa é que o jornalista seja enviado posteriormente para os Estados Unidos e preso na base de Guantánamo.

Assange está atualmente em liberdade assistida e sua residência fixa na Inglaterra é a propriedade rural Ellingham Hall, do simpatizante do Wikileaks Vaughan Smith. Assange é acusado de ter estuprado duas mulheres na Suécia. A lei sexual é rígida e considera estupro, por exemplo, iniciar uma relação sexual com preservativo e terminá-la sem, como relatou Paulo Nogueira para ALFA de janeiro (clique aqui para ler a reportagem).

O fundador do Wikileaks nega as acusações e afirma que o processo tem motivação política. Assange acredita que querem calá-lo depois da divulgação de documentos confidenciais da diplomacia norte-americana. É neste ponto que a defesa se apoia, argumentando que a Suécia poderá entregar o australiano para os Estados Unidos.

Ainda não está certo qual será o suporte real dos jornais que mantêm ou mantiveram parceria com o Wikileaks. Apesar de Assange ter rompido o acordo de exclusividade com o britânico Guardian, Alan Rusbridger, editor-chefe do jornal, manifestou apoio total ao trabalho de Assange e do Wikileaks. Bill Keller, do New York Times, foi mais cauteloso, mas acredita que o australiano não será condenado nos Estados Unidos.

O julgamento acontece no mesmo dia em que o Wikileaks lança sua loja virtual. São camisetas com estampas engraçadas, como a de Assange retratado como Che Guevara ou um trocadilho com o slogan da rede de fast-food McDonald’s.

O próprio Guardian realiza uma cobertura em tempo real, em inglês, do julgamento de Assange. Clique aqui para acompanhar.